O Programa Estadual de Hepatites Virais do Centro de Vigilância Epidemiológica, da Secretaria de Estado da Saúde, propôs aos municípios a intensificação da testagem para a hepatite C em pessoas com mais de 40 anos no período de 16 a 31 de julho. A Vigilância Epidemiológica de Capão Bonito aderiu a essa iniciativa.

De acordo com a Secretaria Estadual, várias atividades acontecerão no Estado para comemorar o Julho Amarelo, com a proposta de divulgar o tema à população em geral, facilitar o acesso à testagem e, nos casos positivos, o encaminhamento para a realização de exames complementares e tratamento, se indicado.

Ainda de acordo com a Secretaria, o grande desafio é o diagnóstico da doença que, por ser de longa evolução e que, geralmente não apresenta sintomas, as pessoas podem ter se contaminado no passado e não sabem que têm o vírus. A infecção pode evoluir para formas mais graves como a cirrose ou o câncer hepático. Por isso, a recomendação de realização do teste para hepatite C pelo menos uma vez na vida, com o objetivo de diagnosticar e tratar o mais precocemente.

Segundo a Vigilância Epidemiológica de Capão Bonito, no município, serão realizados os testes, no período entre 16 e 31 de julho, das 09h00 às 16h00, nas seguintes Unidades Básicas de Saúde:

– Centro de Saúde I;

– UBS Jardim Alvorada;

– UBS Vila São Paulo;

– UBS Vila Aparecida.

Informações sobre a doença

Estima-se que cerca de 71 milhões de pessoas estejam infectadas pelo vírus da hepatite C em todo o mundo e que cerca de 400 mil vão a óbito todo ano, devido a complicações desta doença, principalmente por cirrose e carcinoma hepatocelular.

O Ministério da Saúde estima que 0,7% da população, entre 15 e 69 anos, no Brasil teve contato com o vírus da hepatite C. O que corresponde a aproximadamente 1 milhão de pessoas. Desses, estimase que quase 700.000 pessoas tenham a doença e necessitam de acompanhamento e tratamento.

Os mecanismos conhecidos para a transmissão dessa infecção são os seguintes:

• Transfusão de sangue e uso de drogas injetáveis: o mecanismo mais eficiente para transmissão desse vírus é pelo contato com sangue contaminado. Desta forma, as pessoas com maior risco de terem sido infectadas são:

a) que receberam transfusão de sangue e/ou derivados, sobretudo para aqueles que utiliza ram estes produtos antes do ano de 1993, época em que foram instituídos os testes de triagem obrigatórios para o vírus C nos bancos de sangue em nosso meio;

b) que compartilharam ou compartilham agulhas ou seringas contaminadas por esse vírus como usuários de drogas injetáveis.

• Hemodiálise: alguns fatores aumentam o risco de aquisição de hepatite C por meio de hemodiálise, tais como desinfecção inadequada de todos os instrumentos e superfícies ambientais.

• Acupuntura, piercings, tatuagem, manicures, barbearia, instrumentos cirúrgicos: qualquer procedimento que envolva sangue pode servir de mecanismo de transmissão desse vírus, quando os instrumentos utilizados não forem devidamente limpos e esterilizados. Isto é válido para tratamentos odontológicos, pequenas ou grandes cirurgias, acupuntura, piercings, tatuagens ou mesmo procedimentos realizados em barbearias e manicures.

• A prática do uso de droga inalada com compartilhamento de canudo também pode veicular sangue pela escarificação de mucosa.

• Relacionamento sexual: esse não é um mecanismo freqüente de transmissão, a não ser em condições especiais. Estudos publicados na literatura científica mostram uma variabilidade de 0-3% de transmissão sexual do HCV na população geral, sem fatores de risco para Infecções Sexualmente transmissíveis. Pessoas com múltiplos parceiros ou que tenham outras doenças de transmissão sexual (como a infecção pelo HIV) têm um risco maior de adquirir e transmitir essa infecção. O relacionamento sexual anal desprotegido também aumenta o risco de transmissão desse vírus, provavelmente por microtraumatismos e passagem de sangue. No sêmen, o vírus foi encontrado em concentrações muito baixas e de forma inconstante, não suficiente para manter a cadeia de transmissão e manter a disseminação da doença.

• Transmissão vertical e aleitamento materno: a transmissão do vírus da hepatite C durante a gestação ocorre em menos de 5% dos recém-nascidos de gestantes infectadas por esse vírus. O risco de transmissão aumenta quando a mãe é também infectada pelo HIV (vírus da imunodeficiência humana). A transmissão do HCV pelo aleitamento materno não está comprovada.

• Acidente ocupacional: o vírus da hepatite C (HCV) só é transmitido de forma eficiente por meio do sangue. A incidência média de soroconversão, após exposição percutânea com sangue sabidamente infectado pelo HCV é de 1,8% (variando de 0 a 7%). O risco de transmissão em exposições a outros materiais biológicos, que não o sangue, não é quantificado, mas considera-se que seja muito baixo. Nenhum caso de contaminação envolvendo pele não-íntegra foi publicado na literatura.

• Transplante de órgãos e tecidos: o vírus HCV pode ser transmitido de uma pessoa portadora para outra receptora do órgão contaminado. Em cerca de 10 a 30% dos casos dessa infecção, não é possível definir qual o mecanismo de transmissão envolvido.